segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dica de filme

Olá pessoal, muita gente pediu dicas de filmes que tratam da temática homossexual, então resolvemos dar uma sugestão ok?

MENINOS NÃO CHORAM

Título Original: Boys Don't Cry


Gênero: Drama


Origem/Ano: EUA/1999

Duração: 118 min

Direção: Kimberly Pierce


 
Sinopse: Baseado na história real de Teena Brandon, Boys Don't Cry relata a juventude de uma jovem garota que decide assumir sua homossexualidade, mas para fugir do preconceito e negação da sociedade adota nova identidade, transformando-se no garoto Brandon.

Do meio dos Estados Unidos, surge um ser com uma vida dupla extraordinária, um triângulo amoroso complicado e um crime que abalaria o interior do país.

Brandon Teena foi um forasteiro que encantou a pequena comunidade rural de Falls City, no estado de Nebraska. As mulheres o adoravam e quase todos que conheciam esse recém-chegado carismático eram atraídos por sua inocência encantadora. Porém, o personagem mais famoso e amigo fiel da cidade tinha um segredo: ele não era quem as pessoas pensavam ser.

Em Lincoln, sua terra natal, a apenas 120 quilômetros dalí, Brandon Teena era uma pessoa diferente, envolvido numa crise pessoal que o assombrou durante toda a sua vida.

Como muitos jovens, ele cometeu erros e, quando Brandon impõe-se entre seu novo amor, Lana, e o amigo dela, John (Peter Sarsgaard), o mistério desdobra-se em violência.

 
Em sua vida singular e curta, Brandon Teena foi, ao mesmo tempo, um amante arrebatador e um forasteiro preso numa armadilha, um "ninguém" empobrecido e um sonhador elaborado, um ladrão audacioso e a vítima trágica de um crime injusto.

Meninos Não Choram explora as contradições da identidade e juventude americana através da vida e da morte de Brandon Teena. Através de um caos de desejo e assassinato, surge a história de um jovem americano à procura do amor, de si mesmo e de um lugar para chamar de lar.





quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Opinião pessoal x direitos humanos: o que é mais importante sobre diversidade sexual?"




Caros Visitantes:

O tema mais votado para uma conversa no nosso blog, com 28% dos votos, foi "Opinião pessoal x direitos humanos: o que é mais importante sobre diversidade sexual?"

Essa nossa conversa será feita através de comentários neste post. Sejam bem-vindos para a construção desse conhecimento.

PERGUNTAS:

  • "Opinião pessoal x direitos humanos: o que é mais importante sobre diversidade sexual?"

  • Há limites para a liberdade de expressão?


segunda-feira, 14 de junho de 2010

HISTÓRIA - Homossexualidade



Uma trajetória contra o preconceito



1476 - 2004


A História caminha ora a passos curtos ora a passos largos e apesar de todo o preconceito ainda existente, o movimento guei tem conquistado vitórias em todo o mundo. Isto inevitavelmente levará a uma fase de aceitação da diversidade.

Os fatos aqui relacionados são alguns dos que evidenciam os avanços e recuos de um processo que inevitavelmente solidificará a supremacia dos direitos humanos.


Por outro lado, as punições em nome da religião e as discriminações em nome da ciência e da moralidade mostram-se cada vez mais sem embasamento consistente.


Hoje as sociedades estão compreendendo que a homossexualidade não é boa nem má. É apenas uma condição natural, não apenas observada em todas as civilizações e em todos os tempos, mas também comum nos seres da natureza. A cronologia abaixo registra alguns acontecimentos e marcos importantes do movimento guei no Brasil e no mundo.



1476 (09 de abril) - Leonardo da Vinci comparece perante o tribunal de Florença para responder à acusação de sodomia, juntamente com um tal de Baccino alfaiate, Jacopo Saltarelii ourives, Bartolomeo de Pasquino ourives e Lionardo de Tornabuoni que, como Saltarelli, vestia-se de negro. A pena legalmente prevista era a morte na fogueira, mas eles acabaram absolvidos por falta de provas. Ninguém testemunhou contra os cinco homossexuais, especialmente para não se indispor com Lourenço de Médicis, soberano da cidade toscana e primo de Tornabuoni. A absolvição permitiu que Leonardo da Vinci vivesse mais 43 anos deixando um acervo incomparável de obras artísticas, científicas e culturais.


2000 - Companheiro de funcionário da Caixa Econômica Federal, portador do vírus HIV, pode ser incluído como dependente no Plano de Assistência Médica Suplementar da CEF. Em 1996, o juiz Roger Raupp Rios, da 10 Vara Federal de Porto Alegre, ordenou que o convênio cobrisse o atendimento médico prestado ao companheiro do titular. Na época, o casal vivia junto há cerca de sete anos. O funcionário da CEF á estava aposentado por ser portador do HIV.


2000 (9 de abril) - Governo propõe Projeto de Lei para reforma o Código Penal, instrumento jurídico mais importante do país depois da Constituição. Elaborado por um grupo de juristas designado pelo Ministério da Justiça, entre outros temas ele legitima a relação entre homossexuais e seria a primeira grande reforma desde que o Código Penal foi editado, em 1941.


2000 (12 de maio) - Em Juiz de Fora, Minas Gerais, é aprovada a Lei Municipal 9791/2000 que garante aos homossexuais o direito de manifestar sua afetividade em locais públicos.


2000 (15 de maio) - No Rio de Janeiro é aprovada, mas não sancionada, a Lei Estadual 3406, que estabelece penalidades aos estabelecimentos que discriminem pessoas em virtude de sua orientação sexual.


2000 (01 de junho) - O clube SoGo Disco Bar, uma casa noturna GLS, que situa-se na região dos Jardins, em São Paulo, é invadida por policiais civis tendo como pretexto a suspeita de que a casa seria "lugar de prostituição e drogas". A partir de tal presunção, sem flagrante, o prédio é cercado por três viaturas. Os policiais teriam se apropriado de garrafas de água mineral e abusado de violência física e verbal, humilhando os clientes com frases como: "Os gueis são a vergonha do mundo".


2000 (09 de junho) - Homossexuais brasileiros conquistam direito também de pensão, caso o servidor venha a falecer. A decisão é resultado do processo que pediu o reconhecimento da relação de dependência entre os dois homens, que tramitou na Paraná Previdência durante cinco meses. O parecer favorável é baseado na Lei 12.398/98, que criou o atual sistema previdenciário do estado. O artigo 42 da lei diz que são dependentes do segurado "o cônjuge ou convivente na constância, respectivamente, do casamento ou da união estável", desde que morem sob o mesmo teto há pelo menos dois anos e comprovem que um depende economicamente do outro. As condições são as mesmas para casais heterossexuais e homossexuais. Para requisitar os benefícios, além de apresentar documentos que mostrem a relação de dependência, o casal deve ter sua situação comprovada, como aconteceu neste caso, por uma assistente social, que entrevistou o servidor, seu companheiro, familiares e amigos.


2003 (11 de janeiro) - Morre de complicações cardíacas o humorista homossexual Jorge Lafond, autor do personagem Vera Verão que surgiu no programa humorístico do SBT "A Praça é Nossa", em 1997. A sua caricatura excessivamente estereotipada da "bicha louca" era considerada politicamente incorreta pelo movimento homossexual organizado. Em 1988, o Grupo Gay da Bahia havia outorgado-lhe o diploma "Pau de Sebo", conferido anualmente aos inimigos da libertação homossexual. Posteriormente, o Grupo Quimbanda-Dudu, de gueis negros, protestou quando o comediante ofereceu-se ao Ministério da Saúde para encabeçar campanha de prevenção da Aids: "seu personagem repete o estereótipo do guei ultra-desmunhecado, palhaço, tirano e sobretudo, inimigo e agressivo com as mulheres. É um desrespeito à dignidade dos gueis e mesmo das travestis, fornecendo munição para os heterossexuais continuarem a agredir e desrespeitar os homossexuais".


2003 (16 de janeiro) - Entra em vigor em Nova Iorque a lei anti-discriminação por orientação sexual. Com o nome de Ato de Não-Discriminação por Orientação Sexual, a lei havia sido aprovada no mês anterior, após uma batalha de 31 anos e passa a proteger gueis e lésbicas de abusos, ameaças e discriminação nas questões de moradia, emprego, educação e serviços públicos. A discriminação por raça, credo, sexo, cor, nacionalidade, deficiência, idade e estado civil já era proibida em Nova Iorque.


2003 (17 de janeiro) - Em documento de 17 páginas intitulado "Nota Doutrinária sobre Algumas Questões em Relação à Participação dos Católicos na Vida Política", o Vaticano reforça os ensinamentos mais intransigentes e tradicionais da Igreja Católica, lembrando aos políticos que eles não podem se comprometer com a tolerância, pluralismo ou liberdade de escolha ao fazer ou aprovar leis favoráveis à união entre homossexuais: "a democracia deve ser baseada na verdade e em fundação sólida de princípios éticos inegociáveis". Aprovado pelo Papa, o documento reafirma que o casamento deve ser "monogâmico entre um homem e uma mulher, e protegido em sua unidade e estabilidade" e que "Nenhuma outra forma de coabitação pode ser colocada no mesmo nível do casamento, nem pode receber o reconhecimento legal como se fosse".


2003 (21 de janeiro) - Em mais um caso de jurisprudência favorável aos casais homossexuais, a juíza federal Caroline Medeiros e Silva, de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro, reconhece uma relação guei para fins de pensão do INSS. O caso refere-se ao casal Vicente Bezerra da Silva e Sebastião das Graças Amorim, que viveram juntos por 33 anos. Com a morte de Amorim, Vicente resolvera entrar com processo pelo reconhecimento da relação. No Brasil, até esta data, já tinham sido registradas outras decisões favoráveis ao casal e contra ao INSS. Com efeito, em Recife a desembargadora federal Margarida Cantarelli determinara, em agosto de 2001, que o INSS pagasse a pensão por morte para um companheiro de homossexual, assim como ocorrera desde janeiro de 2001 no Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e São Paulo.


2003 (23 de janeiro) - Os homossexuais presos na Colômbia obtêm o direito de receber visitas íntimas nos presídios assim como os heterossexuais, após a justiça aprovar uma ação movida pelo casal de lésbicas Martha Lucía Silva e Martha Isabel Alvarez, que estão presas nos presídios femininos das cidades de Manizales e de Ibagué (centro-oeste). "Os homossexuais têm também o direito de receber a visita daquela pessoa com quem mantenham uma relação estável de casal", determinou o Conselho Superior do Judiciário (CSJ).


2003 (26 de janeiro) - O Papa faz sua mais forte condenação dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, em seu discurso dominical na sacada do Palácio do Vaticano, sobre a Praça de São Pedro. Ele alertou os fiéis contra as versões "não autênticas" de famílias. O pontífice declarou que "uma união entre um homem e uma mulher é a única verdadeira aos ohlos de Deus" e que "este tipo de união é o sinal autêntico de vida e esperança para a humanidade".


2003 (30 de janeiro) - Através do empenho da comunidade guei local e de Kristien Grauwels do Partido Verde, o Parlamento da Bélgica vota pela abolição de todas as leis que proibiam a união civil homossexual. Assim, a Bélgica torna-se o segundo país do mundo a legalizar a união civil entre gueis que passam a ter todos os diretos de um casal heterossexual, com exceção do direito de adotar crianças. Para a aprovação da união civil pelo menos um dos componentes do casal deve ser cidadão belga. A medida foi aprovada por 91 votos a favor e 22 contra, pela Câmara dos Deputados, tendo já passado pelo Senado em 2002, mas deverá ser aprovada pelo Rei e publicada para que entre em vigor. A Bélgica já possuía lei de parceria civil aprovada em junho de 2001.


2003 (31 de janeiro) - Em documento confidencial assinado pelo cardeal Eduardo Martínez Somalo, prefeito da Congregação Vaticana para os Religiosos, o Vaticano afirma: "O membro de um instituto religioso, de uma sociedade de vida apostólica ou de um instituto secular que se submeter a uma cirurgia para a mudança de sexo deve ser expulso de sua casa religiosa, para o bem das almas". Afirma ainda: "No que diz respeito à condição sexual de um fiel, o que conta é a inscrição feita originalmente nos registros paroquiais diocesanos. Portanto, inclusive em casos de mudança de sexo via cirurgia ou de mudança de sexo aceita pelo registro de estado civil, nada muda na condição canônica inicial". Sobre a admissão de um transexual na vida religiosa, a negativa do cardeal Ratzinger é taxativa: "O candidato não será aceito nem em caso de dúvida, quando não se pode garantir uma identidade plena e clara".


2003 (fevereiro) - O Arcebispo da Região Sul Africana, Reverendo Njongonkulu Ndungane, faz uma convocação para todos os 10 milhões de membros batizados na Igreja Anglicana, de todos os setores, para urgentemente abordar a questão da homossexualidade e assim fazer de uma maneira que se gere uma compreensão mútua e que se tire as pessoas para fora de suas "certezas mais absolutas". Isso acontece após uma resolução adotada no recente Sínodo Anglicano, onde foram consideradas as necessidades espirituais das pessoas com orientação homossexual. Com efeito, o Arcebispo Ndungane fez circular um documento de oito páginas sobre sexualidade humana. Esse material tem sido enviado para os bispos, oficiais, paróquias, faculdades de teologia e organizações Anglicanas na África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Moçambique, Angola, Namíbia, e Santa Helena. O documento alerta que, além de ameaçar a unidade da Comunhão Anglicana, a questão da homossexualidade tem causado profunda dor para as pessoas que estão dos dois lados desse debate. "Pessoas estão se machucando por se sentirem rejeitadas, enganadas, mal compreendidas, possessas e excluídas da igreja por causa de suas orientações e convicções. Em nome da compaixão e do cuidado mútuo no Corpo de Cristo, nós não temos outra opção senão se familiarizar e buscar melhor compreensão." E mais ainda, o documento coloca que outros estão se machucando porque eles acreditam que as demandas centrais do Evangelho estão sendo comprometidas e têm que ser protegidas, defendidas e evidenciadas. "Eles acreditam que de alguma maneira a Fé está em jogo. O nosso zelo pela verdade do Evangelho e pela direção do Espírito nos constrange". O primeiro passo é achar pontos comuns. "Nós todos estamos comprometidos em buscar a verdade de Deus e respeitar a autoridade das Escrituras; o desentendimento apenas surge quanto nós tentamos entender e articular a natureza dessa autoridade. Existe também um ponto de convergência na nossa fé de que sexualidade humana é um dom de Deus, mas que promiscuidade, comportamento sexual mutilador, pedofilia e pornografia sejam pecados. Nós todos acreditamos em padrões morais e que todos os seres humanos são amados por Deus e nós somos chamados a amar o nosso próximo". Numa abordagem amadurecida da interpretação das Escrituras, o documento de discussão cita diversos exemplo, como escravidão, a posição das mulheres, casamento após divórcio e o empréstimo de dinheiro com juros, onde a Igreja passou a entender os ensinamentos de Deus de uma outra maneira. "isso", diz o Arcebispo, "Não é uma questão que irá se dissipar, nós devemos não somente conversar uns com os outros, mas estarmos preparados para igualmente ouvir".


2003 (06 de fevereiro) - O Grupo Gay da Bahia (GGB) lança em Salvador o Livro de Registro de União Estável entre Homossexuais. O objetivo é que se torne o documento legítimo para que casais do mesmo sexo provem junto ao INSS e à Justiça a existência de uma relação estável, e com isso adquiram os mesmos direitos conjugais garantidos aos heterossexuais. Pretende-se que os 100 grupos da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais), espalhados nos 27 Estados do País, passem a funcionar como uma espécie de "cartório guei" e tenham os seus próprios livros.


2003 (13 de fevereiro) - O Parlamento Europeu (PE) vota a recomendação pelo reconhecimento das parcerias registradas, contratos de coabitação e casamentos gueis em toda a União Européia (UE), de forma que deve ser levada em consideração por todos os países membros. Assim, no caso em que um casal guei holandês tenha que se mudar para um país membro que não reconheça parcerias, como é o caso da Itália, Espanha, Grécia, Irlanda, Luxemburgo e Áustria, bastará que apenas um dos membros do casal tenha obtido trabalho no país de destino. Desta forma, ambos os parceiros passam a receber o direito à residência e trabalho no novo país.


2003 (26 de março) - Estudo aponta diferenças em cérebros de homossexuais. Realizada por psiquiatras ingleses, a pesquisa revelou que os gueis pensam como mulheres e os cérebros das lésbicas trabalham como os dos homens heterossexuais. Os cientistas do Instituto de Psiquiatria de Londres chegaram à conclusão de que os homens gueis são excelentes em tarefas mentais em que geralmente as mulheres realizam melhor que os homens, mas não são tão bons em outras tarefas vistas como "masculinas". Já as lésbicas se deram tão mal quanto os homens em testes mentais dirigidos às mulheres. Os pesquisadores realizaram várias séries de testes neurocognitivos para chegar às conclusões. Não foi dito o número de pessoas pesquisadas nem os parâmetros estatísticos de seleção e comparação. Os resultados encontrados pelos psiquiatras Qazi Rahman e Glenn Wilson foram publicados no jornal Neuropsychology. Eles afirmam que as variações de exposição do feto ao hormônio testosterona seriam as responsáveis pela determinação da orientação sexual. Rahman afirmou ainda que a homossexualidade é um fenômeno biológico normal. No entanto, não foi esclarecida a questão dos bissexuais.


2003 (março) - O Vaticano resolve publicar um dicionário com mil páginas, o Lexicon, esclarecendo termos como "direitos reprodutivos", "gênero" e outros ligados à sexualidade, com o objetivo de esclarecer sobre todas as formas de comportamento contrárias aos ensinamentos da Igreja Católica Romana. O dicionário também aconselha contra a "estigmatização" de pessoas que questionam a homossexualidade como homofóbicos. No glossário considera-se a homossexualidade "um conflito psíquico não resolvido que a sociedade não pode institucionalizar".


2003 (31 de março) - Um pediatra da Escola de Medicina da Universidade de Indiana divulga um estudo onde mostra que as diferenças no desenvolvimento emocional entre adolescentes hétero e homossexuais praticamente não existem. O Dr. Tom A. Eccles, responsável pelo estudo, declarou que, apesar de vários adolescentes gueis terem um comportamento de maior risco nesta fase, os médicos e profissionais de saúde não devem assumir que eles tenham experimentado algum tipo de stress psicológico. Uma descoberta crucial na pesquisa foi a importância da interação com colegas em um desenvolvimento social saudável de adolescentes gueis, lésbicas ou bissexuais. "No momento que estes jovens têm contato com colegas que também sejam homossexuais, seu senso de estar atrasado no desenvolvimento de aspectos sociais, como namoro, acabam", disse o médico.


2003 (01 de abril) - A chefe do Serviço de Orientação e Reconhecimento Inicial de Direitos do INSS do Paraná, Neide Garcia Sestren, conforme Oficio N.o 14-501.12/2003, reconhece o LIVRO DE UNIÃO ESTÁVEL do 'INPAR 28 DE JUNHO" como documento de comprovação de União Estável entre casais do mesmo sexo. O Livro é o segundo no Brasil, a exemplo do Grupo GGB da Bahia, que obteve o reconhecimento do INSS na semana anterior.


2003 (03 de abril) - O Grupo Gay da Bahia anuncia seus prêmios anuais. Como acontece todos os anos, pelo décimo terceiro ano consecutivo, são premiandos com o Troféu Triângulo Rosa as personalidades e instituições que deram maior apoio aos direitos humanos dos homossexuais, outorgando o Troféu Pau de Sebo, aos inimigos dos gueis, lésbicas e transgênero. O GGB dá a Fernando Henrique Cardoso o prêmio Triângulo Rosa de maior amigo dos homossexuais em 2002, por ter sido o primeiro Presidente da República a pronunciar em público o termo HOMOSSEXUAL. Na lista dos dez amigos dos gueis e lésbicas, constam também a Fiat, o Ministério da Saúde, o Banco Morgan Chase e o Conselho Nacional de Imigração do Ministério da Justiça. Para o troféu Pau de Sebo, outorgado aos dez inimigos dos homossexuais, o primeiro lugar foi para a Assembléia de Deus que chamou os gueis de "raça diabólica", incluindo também a apresentadora Luciana Gimenez, o jornalista Tutty Vasques, a Volkswagen do Brasil, o ator Vitor Fasano, este último, re-incidente.


2003 (04 de abril) - Mais um estado brasileiro consegue vitória contra a homofobia. Santa Catarina promulga lei que pune a discriminação por orientação sexual. É prevista punição a toda e qualquer manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra qualquer cidadão ou cidadã homossexual, bissexual ou transgênero. Também há previsão de punição quando aos cidadãos é impedido o ingresso baseado na orientação sexual, quando há humilhação, atendimento selecionado, preterição, sobretaxa, demição, proibição à livre expressão da afetividade, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos e cidadãs. Qualquer organização social ou empresa com ou sem fins lucrativos instaladas em Santa Catarina; na área pública, militar, poderá ser objeto de penalidade que varia entre advertência; multa de R$ 1.000,00; multa de R$ 3.000,00; suspensão de licença da empresa e cessação. Os valores serão ajustados pela taxa SELIC.


2003 (25 de abril) - O Brasil, com apoio de outros 19 países membros da ONU, propõe projeto de resolução em que todos os membros da organização teriam que promover e proteger os direitos humanos de todas as pessoas, não importando qual a sua orientação sexual. Seria uma resolução histórica, já que pela primeira vez a ONU abordaria a questão dos direitos humanos dos homossexuais. No entanto, uma aliança entre os países muçulmanos, com destaque para Egito, Paquistão, Arábia Saudita, Líbia e Malásia, além do Vaticano e do apoio dos Estados Unidos (abstenção) conseguiu impedir, a votação do projeto. Os países muçulmanos introduziram emendas ao projeto com intenção de eliminá-lo sem votação. As emendas removeram qualquer referência à discriminação com base na orientação sexual. Assim, as relações homossexuais continuam sendo ilegais em quase metade dos países que formam a ONU e quase 70 países as consideram crime, chegando até à pena de morte em alguns, como é o caso de países fundamentalistas islâmicos.


2003 (09 de maio) - O 4° Grupo Cível do Tj-RS reconhece, por maioria, o julgamento de um pedido de reconhecimento de união estável entre homossexuais. O processo teve início em 1996, quando I.L.M. ingressou com ação para ver reconhecido o direito de herdar os bens de V.D., comerciante de Porto Alegre, de quem era funcionário e com quem alegava ter mantido relacionamento de 1981 até o falecimento deste, em 1995. Sem herdeiros diretos, os bens do comerciante passariam ao Município de Porto Alegre - configurada a hipótese de herança jacente. Foi a primeira vez em que o 4° Grupo Cível do Tj-RS, que reúne as 7ª e 8ª Câmaras Cíveis, enfrentou a questão. Ao desempatar este julgamento controverso, o desembargador Carlos Alberto Bencke, considerou que a prova oral colhida demonstrou "que o autor da ação estava sempre em companhia do falecido, e que o comportamento de ambos demonstrava a intenção de viverem maritalmente". "Não se poder mais negar que as uniões homossexuais são uma realidade que não se pode mais desconhecer". Bencke admitiu que "o Direito evoluiu, não se podendo esquecer que a base jurídica existe para a proteção dessas situações de fato.


2004 (09 de janeiro) - O juiz Maurício Goyatá Lopes, da Vara da Fazenda Pública de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, condenou o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado, o Ipsemg, a pagar pensão por morte para um homossexual que viveu amancebado com seu parceiro, um professor da rede pública estadual mineira, até o falecimento deste, há cerca de dois anos. Esta seria a primeira sentença do gênero no Estado de Minas Gerais. O beneficiado, um bibliotecário que não permitiu sua identificação, viveu com o professor por mais de dez anos. Além da pensão, o bibliotecário deve receber o pecúlio e auxílio funeral. Inicialmente, o Ipsemg se recusou a conceder pensão, alegando que a Constituição Federal e a própria legislação do Instituto não reconhecem a relação homossexual como entidade familiar. O bibliotecário moveu então uma ação ordinária, cuja sentença foi assinada no dia 30 de dezembro, um ano e meio depois de impetrada.


2004 (03 de março) - Publicado no do Diário Oficial do Estado do Rio Gande do Sul que através de representação do Ministério Público Estadual, a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul proveu o Parecer 006/2004-CM/GE, em que o Des. Aristides P. de Albuquerque Neto, Corregedor-Geral da Justiça, afirma: "As pessoas plenamente capazes, independente da identidade ou oposição de sexo, que vivam uma relação de fato duradoura, em comunhão afetiva, com ou sem compromisso patrimonial, poderão registrar documentos que digam respeito a tal relação. As pessoas que pretendam constituir uma união afetiva na forma anteriormente referida, também poderão registrar os documentos que a isso digam respeito."




sexta-feira, 21 de maio de 2010

DIREITO HOMOAFETIVO





 
A Homossexualidade na Justiça
 
Diante do silêncio do legislador, é a jurisprudência a mais importante ferramenta para assegurar a homossexuais e transexuais o exercício de cidadania.

Os avanços são muitos, mas é enorme a dificuldade de acesso aos julgados que sinalizam os progressos que o direito à livre orientação sexual vem alcançando na Justiça.

Daí a necessidade de formar uma grande rede de informações e disponibilizar as vitórias já obtidas pela população LGBT.

Com certeza este é um compromisso de todos que acreditam na necessidade de contruir o direito homoafetivo como um novo ramo do Direito.

Mas, é indispensável coragem de ousar, única forma de consolidar conquistas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

17 de maio - Dia do Combate a homofobia!

O Dia


Os parlamentares deram sequência nas sessões extras desta quarta-feira à noite, dia 12, à votação de projetos do Governo. Em segunda votação foram votados:

Vários projetos do deputado Júlio da Retífica (PSDB) foram aprovados no encerramento dos trabalhos em plenário.

O processo 710, que institui o Dia Estadual de Combate à Homofobia, também é de autoria de Júlio da Retífica.

De acordo com o projeto fica instituido o dia 17 de maio como Dia de Combate a Homofobia.

Segundo o parlamentar, a proposta pretende levantar a discussão e levar a sociedade a repensar os atos discriminatórios em relação à opção, orientação sexual e gênero de identidade das pessoas.

Em 1990, no dia 17 de maio, a Organização Mundial de Saúde declarou que a homossexualidade não era doença e sim uma manifestação e uma condição tão naturais quanto a heterossexualidade.

Ainda do parlamentar tucano foi aprovado projeto nº 1897, que fixa a exigência de instalação de câmaras de vídeo em locais públicos.


 

Sobre o Projeto de Lei que Criminaliza a Homofobia



Desde março o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza as ações de preconceito e discriminação por orientação sexual, está parado no Senado.

Tal projeto altera a legislação anti-discriminação já existente no País, acrescentando a categoria “orientação sexual” com o objetivo de proteger a população gay, lésbica e transgênero do Brasil contra atitudes arbitrárias como a expulsão de lugares públicos (hotéis, restaurantes, escolas, faculdades, clubes) ou agressões verbais e discriminação no trabalho, escola, dentre outras atitudes possíveis.

Ao mesmo tempo que protege homossexuais, dá as mesmas garantias aos heterosexuais num improvável caso de “discriminação às avessas”.

O projeto está sendo alvo de alguns grupos religiosos radicais, que entendem que tal legislação os impediria de pregar a Bíblia ou os obrigaria a aceitar cenas de manifestação homossexual em suas igrejas. Tal conclusão, contudo, soa ilógica, principalmente porque os cultos religiosos já são protegidos no artigo 208 do CP e pela própria Constituição Brasileira.

Você já assinou?

Para assinar o manifesto, basta clicar no link abaixo:








Quem quiser, também há um site chamado Não Homofobia! com outras informações e formulário para votação.
 
 

domingo, 9 de maio de 2010

Aula 3: Escola e Sexualidade- Diário de Bordo



Na última aula estavamos curiosas com tudo o que estava sendo explanado pelo professor:

"...Antes do século XIX, não há homossexuais..." Isso não quer dizer que eles não existiam e sim que o temo homossexual ainda não havia sido criado. 
Os homens e mulheres que eram homossexuais e lésbicas, eram conhecidos como: Invertidos, Uranistas, Sodomitas. E suas práticas sexuais eram chamadas de práticas homoeróticas.
" A palavra homossexual foi criada para legitimar a relação entre dois homens e duas mulheres"
"Ser homossexual é diferente de ser gay"
"Homossexual se refere a um componente genital(corpo/sexo)"
"Existem várias formas de ser homem e várias formas de ser mulher"
"Pode existir uma mulher gay, um homem lésbico etc..."


"A pessoa é que vai decidir o que é, ninguém tem o direito de apontar o dedo e dizer fulano é isso ou fulano é aquilo."   
Quanta novidade! E enquanto ficavamos com mais dúvidas do que respostas na cabeça, veio alguém e entregou uma folhinha com as atividades da aula.

Em uma das questões pediam relatos a cerca de situações sexistas e homofóbicas vivenciadas em nosso cotidiano. 
Comecei a pensar em um tempo não muito longe daqui, anos 80, esfervecência da adolescência, ícones da música se assumiam gays, bi... Aliás eram apenas essas duas nomenclaturas que existiam, pelo menos que eu conhecia.
Uma amiga se apaixona por outra mulher e deu a cara a tapa, se assumiu, saiu do armário foi um rebu, na sua casa, na escola onde estudava. O preconceito rolava solto naquela época, até ovo podre ela recebeu na porta da escola. Só por amar diferente. Incrível não?  
Na escola não souberam lidar com o problema e trasferiram ela para o turno da noite no ano seguinte, não sei o que eles pensaram na época, talvez acharam que mudando ela de turno, ela deixaria de gostar de mulher, vai saber.
Hoje ela continua gostando de mulher, tem seu trabalho, mas resolveu ser mais discreta.
Porque?
Ela me diz que é por causa do preconceito.
Concordo com ela que o preconceito continua, só não sei dizer se diminuiu ou aumentou. Antigamente o preconceito era aberto, cara a cara mesmo.
Hoje existe um preconceito velado, que ataca através de olhares maliciosos, piadinhas, risos difarçados... 
Na escola o preconceito não é tão velado assim e podemos perceber que os garotos e garotas que tem um "jeito diferente" (se assim posso dizer), são alvo das mais perversas brincadeiras.
Os professores sem saberem como lidar com isso, ficam impassíveis, muitas vezes também por preconceito.
Na outra pergunta veio a seguinte questão:
O que acontece na sua realidade que motiva você a fazer o curso?

Toda essa gama de preconceito, que muitas vezes desestimula o aluno a continuar na escola, por não aguentar ser rechaçado todos os dias pelos seus colegas. E o futuro desse aluno como fica?
Teve um caso de que ameaçaram um aluno de morte, apenas por ele amar diferente.
Gente, a escola é lugar de socialização e toda socialização pressupões em lidar com o diferente  e  em respeita-lo.
Não somos todos iguais, e que bom que é assim senão seríamos robozinhos, fazendo tudo igual. Você gostaria de fazer parte de um mundo assim?   

Gostariamos muito do apoio das entidades LGBT, para que pudessemos levar também às escolas do Estado e não somente da prefeitura essa luta que é de todos nós educadores. A luta contra o preconceito de um ser humano com outro ser humano.
A luta contra a homofobia, a lesbofobia, a transfobia etc...

Márcia Helena


      

    



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Primeiro Centro de Documentação LGBT





Iniciativa cultural foi premiada no Concurso Público LGBT 2009


As histórias de luta do segmento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) podem ser encontradas no único Centro de Documentação existente no país. Por iniciativa da ONG Grupo Dignidade do Paraná e com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, foi criado, em 2007, na cidade de Curitiba, no Paraná, o Centro de Documentação Professor Dr. Luiz Mott (Cedoc).

O Centro, que foi batizado com o nome de um dos principais líderes e pioneiros do movimento da comunidade LGBT no Brasil, o professor e antropólogo baiano, Luiz Mott, surgiu com o objetivo de preservar e divulgar as produções artísticas e literárias do segmento do Paraná e todo o país.

O Cedoc, uma das iniciativas premiadas no Prêmio Cultural LGBT 2009, contém um acervo considerável e digitalizado, com mais de 2 mil arquivos, sobre a temática LGBT, incluindo material de produção acadêmica (teses, dissertações, monografias e artigos) livros, vídeos, fotografias, periódicos, recortes de jornais, revistas, DVD e fotografias que contam parte da história do Grupo Dignidade e do Movimento LGBT no Brasil.






Jornal histórico do segmento




Do acervo também consta a coleção completa do primeiro jornal direcionado ao público LGBT brasileiro, o Lampião da Esquina, que circulou de 1978 a 1981. No dia 9 de abril deste ano, foi feito, em Curitiba, o lançamento da coleção completa das 41 edições do jornal, restaurada e digitalizada. O Lampião da Esquina circulou, em plena ditadura militar, com suas publicações dirigidas à população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

Agora, o material considerado marco importante na abertura política no Brasil, está disponibilizado, para consulta, no Centro de Documentação Professor Dr. Luiz Mott. O periódico teve uma edição de lançamento, 37 edições sequenciais e mais três edições extras.

Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) é fundamental a preservação da memória da cultura LGBT. “Nós temos muito a aprender com a nossa própria história”, assegura ele.

De acordo com ele, a criação de centros de documentação, como o Cedoc de Curitiba, contribui para uma maior conscientização sobre o respeito ao direito e à livre orientação e expressão sexual. “Eles possibilitam o acesso à parte da história do movimento LGBT brasileiro, à produção acadêmica sobre a temática do segmento e à literatura específica sobre o assunto”, cita Reis.

O Centro de Documentação Professor Dr. Luiz Mott, é utilizado, principalmente, por jovens estudantes desempenhando, dessa forma, um papel educativo e de desmistificação da questão LGBT. “Isso contribui para que as novas gerações tenham mais respeito em relação ao segmento”, aposta o presidente da ABGLT.

Ricardo Lima, Diretor de Monitoramento de Política da Diversidade e Identidade da SID/MinC, acredita que o Cedoc é um referencial para toda a comunidade LGBT, por ser um Centro de valorização da memória. “E a memória é a tua história. Uma forma de organizar o seu passado, o que denota o sentimento de pertencimento”. Para Lima, que esteve presente na cerimônia de lançamento da edição restaurada do jornal Lampião da Esquina, o segmento, que até hoje sofre com o preconceito, deve ter orgulho da sua história que está sendo preservada no Centro de Documentação. Ele informou, ainda, que a SID apoiará a criação de outros Centros de Memória do segmento em outras localidades do país.



O Homenageado




Para o homenageado com a criação do Centro de Documentação, o pesquisador, historiador e professor titular de antropologia da Universidade Federal da Bahia, Luiz Mott, “o Cedoc representa uma grande iniciativa para preservar a memória de um grupo social cuja história foi destruída, queimada e negada durante séculos”. Segundo Mott, a iniciativa, de criar um Centro de Documentação sobre o movimento LGBT, deve ser seguida e repetida nas principais capitais das cinco macrorregiões brasileiras.



O antropólogo cita, como exemplo, os casos do Grupo Gay da Bahia, fundado por ele em 1980, que conserva uma grande quantidade de manuscritos e manifestos do segmento LGBT da Bahia, e da Universidade de Campinas, onde também são arquivados, desde 1980, documentos sobre o movimento.



Sobre a homenagem, ainda em vida, Luiz Mott, que está com 74 anos, disse se sentir muito feliz. “Como decano do movimento, ativo na luta há 30 anos, quero continuar contribuindo com o envio de teses e dissertações para enriquecer mais ainda o arquivo do Cedoc”, afirma o professor baiano.



O Centro de Documentação Professor Dr. Luiz Mott (CEDOC), fica no Centro de Curitiba (Av. Mal. Floriano Peixoto, 366) e funciona de segunda a sexta das 10 às 18 horas. Parte do acervo do Cedoc está disponível para consulta on-line no endereço eletrônico www.grupodignidade.org.br/cedoc.



(Heli Espíndola-Comunicação/SID)



Fotos: CEDOC



Comunicação SID/MinC



Telefone: (61) 2024-2379















* Colaboração de Cristina Ferreira

domingo, 25 de abril de 2010

Texto para discussão da Semana:

Afinal, o que diz a lei contra a homofobia?


Por William de Lucca*
23/04/10
 
Entre a extensa lista de citações do filósofo grego Aristóteles, uma é essencial para que todo este texto faça sentido: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ser gay não é o único motivo que me faz acreditar que o projeto de lei substitutivo 122, de 2006, adiciona a discriminação aos homossexuais a lista de crimes da lei º 7.716 seja benéfico para toda a sociedade. O que me faz acreditar neste projeto é seu texto, claro, conciso e objetivo.

Ao contrário do que vociferam pastores evangélicos Brasil a fora, como Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR/ES), a PL122 não torna os gays uma ‘categoria intocável’. A discriminação por orientação sexual (homo/bi/trans e hetero) passa a incorporar o texto de uma lei já existente, que pune o preconceito por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero e sexo. Aprovada a modificação, a lei ganha o texto ‘orientação sexual e identidade de gênero’ como complemento.

A lei, que já cita uma extensa lista de crimes contra estas fatias da sociedade, adiciona ainda impedir ou proibir o acesso a qualquer estabelecimento, negar ou impedir o acesso ao sistema educacional, recusar ou impedir a compra ou aluguel de imóveis ou impedir participação em processos seletivos ou promoções profissionais para as pessoas negras, brancas, evangélicas, budistas, mulheres, nordestinos, gaúchos, índios, homens heterossexuais, mulheres homossexuais, travestis, transexuais… pra TODO MUNDO! Ou seja, a lei não cria artifícios para beneficiar apenas os gays, mas para dar mais garantias de defesa de seus direitos para toda a sociedade, da qual a comunidade gay está inserida.
O único artigo que cita diretamente novos direitos constituídos a homossexuais é o oitavo, que torna crime “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãos”, deixando claro que os direitos são de TODOS, e não apenas de um grupo seleto de pessoas.

Mas e a liberdade de expressão?
O ponto mais criticado por evangélicos, especificamente, é a perda da liberdade de expressão. Ora, onde um deputado em sã consciência faria um projeto desta magnitude e não estudaria a fundo a constituição para evitar incompatibilidades? A PL122 apenas torna crime atos VIOLENTOS contra a moral e honra de homossexuais, o que não muda em nada o comportamento das igrejas neo-pentecostais em relação a crítica. Uma igreja pode dizer que ser gay é pecado? Pode. Assim como pode dizer que ser prostituta é pecado, ser promiscuo é pecado, ser qualquer coisa é pecado. A igreja pode dizer que gays podem deixar o comportamento homossexual de lado e entrar para a vida em comunhão com Jesus Cristo? Pode, claro! Tudo isso é permitido, se há homossexuais descontentes com sua orientação sexual, eles devem procurar um jeito de ser felizes, ou aceitando sua sexualidade ou tentando outro caminho, como a igreja, por exemplo.

Agora, uma igreja pode falar que negros são sujos, são uma sub-raça e que merecem voltar a condição de escravos? Pode dizer que mulheres são seres inferiores, que não podem trabalhar e estudar, e que devem ser propriedade dos maridos? Pode dizer que pessoas com deficiência física são incapazes e por isto devem ser afastadas do convívio social por não serem ‘normais’? Não, não podem. Da mesma forma, que igrejas não poderão dizer (mesmo porque é mentira) que ser gay é uma doença mental, que tem tratamento, que uma pessoa gay nunca poderá ser feliz e que tem de se ‘regenerar’. Isto é uma violência contra a moral e a honra dos homossexuais, e este tipo de conduta ofensiva será passiva de punição assim que a lei for aprovada.

O que a PL 122 faz é incluir. Ela não cria um ‘império Gay’, como quer inadvertidamente propagar um ou outro parlapatão no Senado. A PL 122 não deixa os homossexuais nem acima, nem abaixo da lei. Deixa dentro da lei. Quem prega contra a lei tem medo de perder o direito de ofender, de humilhar, de destruir seu objeto de ódio. Quem prega contra a PL 122 quer disseminar a intolerância. E tudo que nossa sociedade precisa hoje é aprender respeito e tolerância, e descobrir de uma vez por todas que é a pluralidade que torna nossas breves existências em algo tão extraordinário.


*William é jornalista, poeta e bloggeiro. Pode ser encontrado no twitter ou pelo msn deluccamartinez@hotmail.com

 
Texto encontrado no site: http://www.debandeira.com.br/
 

sexta-feira, 16 de abril de 2010

REFLEXÕES PRIMEIRA AULA - 13 de abril de 2010


Na nossa primeira aula, nos reunimos em grupos e cada grupo pensou sobre a homofobia e apresentou suas reflexões para a turma.


Muitos professores apontaram situações cotidianas para exemplificar o preconceito de gênero e a falta de uma visão da sexualidade como algo diverso, que permite várias formas de relacionamentos afetivos.

Por exemplo, um colega, professor de Educação Física, relatou que quando as meninas querem jogar futebol, os colegas não aceitam porque futebol é "coisa de menino" e que mulher que joga como menino significa que ela se identifica com os garotos e que, por isso, é lésbica. Tal comparação dentro deste contexto coloca o lesbianismo como algo negativo, que é ruim, além de ser um preconceito de gênero também (coisas para meninos e coisas para meninas).

Outra situação comum nas escolas é chamar um colega que não consegue fazer alguma coisa direito, que chora, que fica nervoso, de "bicha", ou seja, de homossexual. Este é outro exemplo de xingamento com referência à homossexualidade, o que exemplifica o preconceito contra as relações homoafetivas.

Foi apontada também a violência por homossexuais como o "estupro corretivo" no qual lésbicas são estupradas e agredidas por homens homofóbicos para que deixem de sentir atração por outras mulheres.

O assassinato de pessoas homossexuais foi também tema da discussão, onde ficou claro que muitas mortes que tem como causa a homofobia não são registradas como tal, mas apenas como homicídio. As causas disso são variadas, desde a omissão da informação a pedido da família até a falta mesmo de uma legislação que determine a necessidade de deixar claro quando um crime é resultado de homofobia.


Foi levantado o fato de que os estudantes homossexuais são rotulados pelos colegas e que são vítimas de preconceito na escola, inclusive de bullying.

Problemas tais como homofobia na escola foram relatados como comuns pelos educadores presentes e, inclusive, foram feitos relatos de homicídio por homofobia nas imediações de uma escola.


Os educadores e educadoras se mostraram também muito preocupados em aprender a lidar com a homofobia na escola e em aprender a lidar e ensinar com a diversidade sexual dentro do espaço escolar.

Fomos informados também sobre os debates ocorridos em eventos e sobre a legislação que fala de assuntos relacionados ao Movimento LGBT:



1. Os Princípios de Yogyakarta, que trata da Aplicação da Legislação Internacional de Direitos Humanos em relação à Orientação Sexual e Identidade de Gênero.



2. O Programa Brasil Sem Homofobia foi lançado em 2004 a partir de uma série de discussões entre o Governo Federal e a sociedade civil organizada com o intuito de promover a cidadania e os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) a partir da equiparação de direitos e do combate à violência e à discriminação homofóbicas.

3. O Plano Nacional de Políticas para Mulheres


4. Conferência Nacional da Educação Básica (2008)


5. Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (2009).


6. PNDH-3 - Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (2010)



7. Conferência Nacional da Educação (aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE 2011 -2020), Diretrizes e Estratégias de Ação.


Nas discussões, aprendemos também os termos certos e as discussões foram sempre atravessadas por outros discursos como o discurso da psicologia, da medicina, sociologia, pedagogia, etc. Uma interface entre saberes muito interessante, que ilustra como é necessário ter uma leitura crítica do que a ciência de forma geral fala sobre as relações homoafetivas.


Conversamos também sobre casamento e adoção de crianças por casais homossexuais, além de falar do preconceito dos pais sobre a orientação sexual das crianças, desde a Educação Infantil.


E você, o que acha destes temas? Coloque seu comentário aqui para que a gente possa conversar sobre o assunto.